estaçãomix


     Ana M. Mascarenhas

    DO QUE SOBROU DO TEMPO

    Faz tempo que me observo
    Tanto que já me faltam os olhos.
    Resta-me o negro-eterno,
    Resta-me o amor desaparecido,
    Medos e soluços escondidos
    Nas íris dos olhos fechados.
    Nada mais atado,
    Nada mais perdido.
    Resta-me o ato impensado,
    O  pecado jamais cometido.

    Faz tempo que observo
    O lento caminhar do vento.
    Resta-me o céu escurecido,
    Resta-me o que sobrou do tempo.
    O amor já é corrompido
    No coração que está detento.
    Quase tudo acabado,
    Derrotado e sofrido.
    Resta-me o nó apertado
    Do abraço do anjo vencido.

                                Por DIRETOR(Marm)



 Escrito por Diretor às 10h45
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POEMAS AO VENTO

Já sabiam que nada adiantariam seus esforços.
A lua, nunca fora uma fera domada, pelo contrário,
Mostrava suas garras e os separava.
Com os olhos em chama sabiam que a separação
Seria coroada pelas mãos de bruxas enfeitiçadas,
Que, por culpa do destino, desafiavam o amor.
Já se encontravam perdidos em abismos diferentes,
Mas não podiam se esquecer que suas almas não eram desiguais.
Mesmo distantes um do outro,
Sabiam que não podiam forrar seus olhos com o azul do céu
Ou com o colorido dos sonhos.
Então, em forma de poemas rasurados,
Descreveram suas vidas
Para que as memórias aí contidas,
Fossem um dia declamadas pelo tempo.
A separação ainda doía bem mais que a morte,
Porém, por culpa da sorte, sabiam que a paixão
Vestiria novas roupas e que um dia, numa outra encarnação,
Faria-se renovada.
Em seus olhos, noturnos e estrelados,
Formaram-se mares de esperanças.
E como se nunca tivessem se separados
Conceberam seus sonhos por vias de uma outra dimensão.
O cuidado, porém, tomado para que as flores nunca fossem
pisadas
Fez com que neles nascessem as asas.
E num momento fugaz do vento, foram levados para algum lugar
Aonde ninguém jamais chegou.
E com mãos perfumadas e braços serpenteados,
Deixaram que esse mesmo vento se encarregasse do rumo.
E como se fossem pétalas que dançam ou sementes que procuram
O solo fértil,
Brotaram, como se fossem parte da primavera.
... E se perpetuaram.

                                                   por DIRETOR(Marm)



 Escrito por Diretor às 09h45
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nelio  freitas

TRISTEZA EM QUATRO PARTES

 

Fundo...

E o eco das lágrimas

Responde no coração.

Um maremoto de saudades

Leva-me à loucura.

Afundo... bem no fundo.

 

Escondo os olhos

Mas a tristeza é desvendada.

Os pés solitários se desenham na rua,

E caminham, sempre tristes,

Em direção à loucura

Cada vez mais profunda.

 

No abandono

Encontro uma parte esquecida.

Esse lado que me cabe

E veste corpo e espírito,

Revela o sonho, impossível,

Escondido bem no fundo.

 

No entanto

Te amo, sem nunca ter te visto.

E preciso desesperadamente

De sua mão, de seu olhar,

De seu sorriso, de sua ajuda

Pra me tirar desse poço profundo.

                             Por DIRETOR (marm)



 Escrito por Diretor às 01h07
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Foto de João Gonçalves

QUASE INSUFICIÊNCIA DE VIDA

É um desafio encarar a verdade
E ainda ter coragem de dizer que a vida
É apenas a passagem de um destino
Para uma nova estação.
É difícil não se tornar tempestade
Perante a insanidade de sentir solidão.

A vantagem da minha luz é descobrir
Que o destino é a passagem da estação
Para a solidão de outra vida.
Meus fracassos foram todos catalogados
E abreviados entre idas e vindas.

A qualidade das minhas asas é sentir
Que a vida passa pelos dedos do destino
Enquanto as estações dão cabo do futuro.
Os muros escondem e prendem
Minha liberdade de escolha de vida.

É difícil esconder a dor
E ainda ter coragem de encarar o mundo
Mesmo deixando que as lágrimas
Escorram, em forma de vida,
De uma estação para outra.
Enquanto o sono é breve e a respiração é calma,
Meu medo aparente de ser diferente, acaba.
A necessidade de ter sonhos (ou asas)
Levam-me à presunção de ser anjo (ou quase).

A vantagem da luz das minhas asas
É não saber escolher a estação de pouso.
E enquanto não me resolvo pelo futuro
Vou envelhecendo a cada passagem
De diferentes destinos.

                                    Por DIRETOR (Marm)



 Escrito por Diretor às 20h20
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Foto de Pedro Paradinha(DeepBlue)

PROFUNDO

Tenho que ser profundo
Como fundo de abismo,
Ou chuva que engrossou o oceano
E encheu o poço da existência...
Profundo e perpétuo... Profuso !
Perfeito sol para um perfeito dia,
E sua volta será um olhar para trás.
Não serei pacato, é demasiada a conquista !
Serei profundo e dividido por todos os lados,
Alado... Feito soluço calado.
Sem preconceitos, bebo da desvairada chuva,
Aprofundando-me em meu próprio olhar.
Torno-me profano !
Mas quando tudo se acaba, fico sereno...
Vento-brisa, chuva-garoa, fúria-tênue.
Só algo me abrasa e me afoga
E me leva sem rumo para o íntimo,
E para o fundo... Profundo !
                                                      Por DIRETOR(Marm) 

 



 Escrito por Diretor às 11h04
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foto de Antonio Ramos

RESSURGIR

 

Fatos...

Dentro dos olhos, as íris palpitam

Ao desvendar o interior da alma.

Em corrida desvairada

O pensamento leva com ele

Uma coleção de aventuras.

Tato...

Dedos e língua redescobrem caminhos

E pés descalços pisam saliências

Da mais nova estrada

Que vai do céu ao purgatório

Sem nunca comentar a dor (ou o prazer).

Exato...

O  momento que escapou do relógio

Tornou-se eternidade,

Fez do vento um aliado

E nessas asas alcançou a montanha

Onde fez morada, lá no alto da imensidão.

Abstrato...

Roupas coloridas nos varais da vida

Balançam feito bandeirolas juninas.

É a festa dos planetas

Que, enlouquecidos, explodem

E preparam a ressurreição.

 

                                       Por DIRETOR(Marm)

 



 Escrito por Diretor às 09h37
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Antonio melo

LABIRINTO

 

São inúmeros os destinos...

Desconhecido caminho que me levaria ao infinito.

Inacabado;

Lua minguante que tende a esconder

A estrada;

Sonho dormente agasalhado no fundo do

Peito.

Idéias dementes que embaralham os fios do

Pensamento.

Preciso tanto de um abraço!

Percorro as ruas de minha imaginação

E crio meu último amigo.

Meio anjo, ele me abriga e me carrega nos braços,

Meio demônio, ele briga e me abandona no espaço.

Despenco da mais alta montanha

E me desfaço em mil pedaços.

Junto os cacos de todos os destinos

E colo-os com a escuridão de minha alma.

Só falta agora derrotar o Minotauro

Que devorou o único destino que me servia.

 

                                                                    Por DIRETOR(Marm)

 



 Escrito por Diretor às 10h00
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 Foto de Rui Nabais

DE SOMBRAS E DE ASAS

 

Eram sombras

E me jogavam no espaço

Para que eu perdesse os sentidos.

De grito em grito

Pude notar a imensidão

Que se formava em meu peito.

No vazio orbitavam os fantasmas

Que eu alimentei desde que me conheci.

Falsos sorrisos e olhos dormentes

Era tudo o que me cabia.

Fim de história, deserta página

Onde nem rasurado foi o destino.

Quase que me mataram

Quase que voltei a ser pó.

Mas minha origem não me cabia

Ainda não era o dia derradeiro.

Olhei para trás, por cima do ombro

E vasculhei na multidão

Cada olhar que se desviava.

Não sei se foi acaso

Mas a mesma sombra que me sugava

Carregou-me nos braços

E se fez de asas.

Lutei contra as dores

Joguei-me do alto de meus sonhos

E flutuei...

Agora já posso voar!

 

                                          Por DIRETOR (Marm)

 

 



 Escrito por Diretor às 09h18
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  Lost tear- Zé Carlos

COMPACTUADO

 

Bem que me disseram para não chorar,

Mas não fui capaz de conter as lágrimas.

Me derramei e segui o meu caminho

Do mim comigo.

E apenas em minha companhia

Segui as minhas pegadas

Querendo ficar sozinho

Com o único que sempre me acompanha.

Eu nunca me deixo,

Eu nunca me abandono...

Não tenho escolha se esse eu que me segue

Conhece meus segredos e zomba de meus sonhos.

Bem que me disseram para não chorar

Mas não fui capaz nem de me olhar no espelho,

Quanto mais de esquecer todas as dores

Que vem sendo as condutoras de minha vida!

 

                                                Por DIRETOR (Marm)



 Escrito por Diretor às 09h39
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O Maltês

NOITE INACABADA

 

Noite.

Dedos finos tateiam no escuro

Procurando pelo muro

A mão de seu salvador.

Antes, era pétala de flor

E asa de prata

Que vagava pela madrugada.

O medo nunca chegava...

 

Noite.

A lua apresenta suas sombras

E engole pelas ruas

Cada viajante perdido.

Antes, era brisa perfumada

E rosa germinada

Que enfeitava os sentidos.

Uma vida nunca bastava...



 Escrito por Diretor às 22h54
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rui nabais

MEU PRÓPRIO ENCANTADO

 

Queria ser meu próprio encantado

E viver ao seu lado, cantando.

No entanto eu sabia

Que o eterno não me pertencia.

Eu era a iniciativa

Mas você era a minha coragem

E me deixava brilhando.

Você me percorria,

Eu apenas vagava

E sabia que eu te pertencia,

E de suas asas dependia

Pois era você quem voava.

Você foi a heroína

Que com suavidade me salvou.

E dessa vida, que hoje já não dói

Apenas se torna estranha,

Tenho medo que se torne profana

O pouco que dela restou.

Hoje, já não tenho mais memórias

Mas tenho a glória

Que nas tuas asas já ganha o espaço,

A fim de contar as histórias

De livros nunca lidos.

Se hoje eu vôo

É pra vasculhar horizontes

E descobrir infinitos, sorrir bonito

E tocar o céu com a ponta dos dedos.

Se não posso ser meu próprio encantado

Faço de você minha alegria.

E sem medos lutarei, mesmo que algum dia

Tudo o que fomos estiver acabado.

                                                                    Por DIRETOR (marm)

 



 Escrito por Diretor às 00h53
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Véu de Noiva - parte 4

              E como tudo um dia se acaba, a guerra também se acabou. Mas Maria continuava triste.

              Não te falei, Maria, que muita felicidade um dia traria tristeza ? Você não me ouviu e eu te falei que muita alegria em ti não caberia. Hoje você chora... Acredita em mim agora ?

              E por incrível que pareça, Maria sorriu.

              Nos olhos ia só a dor, mas no rosto, o sorriso sereno e calmo, escondia um imenso segredo.

              Um dia, como qualquer outro dia, Maria dormiu. Ninguém mais viu Maria, mas logo após ter adormecido, um véu de noiva voou pelo céu em direção do infinito, onde o céu faz limites com a terra.

              Um dia, como qualquer outro dia, Maria voou feito pomba, banca e transparente, feito véu de noiva, calmo.

              Um dia, como qualquer outro dia, às dez horas, Maria sorriu novamente e seus olhos perderam a tristeza. Maria, véu de noiva cristalino...

              Voando no vento desconhecido, se foi um véu de noiva branco.

              Bordado ? Não sei...

                                                   Por DIRETOR (MARM)

 

        

     

 



 Escrito por Diretor às 23h56
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Véu de Noiva - parte 3             

 “Corre criança, passe por cima da ponte, atravesse o horizonte e não pare de correr. Corre menino, já passa das dez horas, vida e morte se misturam e, enquanto há vento, não pare de correr. Por um último sorriso seu eu daria todas as rosas desse jardim e revelaria todos os segredos que guardo no peito. Mas o mundo não quer sonhos, quer vida !

Só sobra uma lágrima cristalina e, como é impossível voltar no tempo, corra contra o vento.

Corre criança, não espere que o dia se acabe, receba as flores da tarde, que te carregam nas asas do pássaro. Sorria menino, pois a nossa história não termina agora. Em forma de sopro, se aloje em meu ventre onde há ainda um sorriso escondido. Eu sei que seus olhos já voam pelo céu, então voe com eles e alcance o crepúsculo. Voe rápido menino e encontre o seu destino. Antes porém de partir, me dê um abraço, o último, me beije primeiro e sorria. Agora o tempo paralisa a razão  e nessa eternidade enfrentamos os monstros que tentam devorar nossos corações. Embora estejamos esmagados pela dor, ainda há vida. Força, meu filho, e voe, corra, sorria, mas vá.”

 

              Maria perde seu filho às dez horas de um dia qualquer. Não há data exata para se perder um filho, mas esse dia permanece gravado para sempre nas curvas do coração de Maria, onde o vento nunca conseguirá chegar para apagar as marcas da dor.

              O destino assim se cumpriu: Lágrimas lavam o rosto de Maria, que pálida, pequena e silenciosa, se mistura com suas rosas e vira flor vermelha.

              A vida marcou enfim, Maria. Sonhos agora são pesadelos e em noites mal dormidas, Maria vai cumprindo a sua sina de se tornar mulher de tantas e todas as dores.

              Um dia Maria chorou. Passou o vento e levou as lágrimas de Maria, para bem depois da ponte, muito além do jardim, lugar que só o vento consegue chegar. As lágrimas molharam a terra, fecundaram sementes e delas nasceram pombos. Brancos pombos que voaram em direção da paz.

              E o tempo vai passando. Maria é somente sombra inacabada de um arco-íris. Se transforma em esboço incompleto de alguma coisa parecida com vida. Maria cansou, caiu e quase se acabou. Só pensava em seu menino e no caminho que lhe levou embora.

              “Volta criança, por onde foi que você se perdeu ? Algum dia, quem sabe ?, nos encontraremos novamente entre as rosas do jardim que fica depois da ponte, bem no limite do céu. Volta, pois agora és pássaro e livre já podes voltar.”

 

                     

     



 Escrito por Diretor às 23h55
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      Véu de Noiva - parte 2       

 Os sonhos de Maria eram apenas sonhos: ter filhos, uma casa e ser feliz. Maria não sonhava com grandes riquezas e nem tampouco queria ser notada. Queria a calma de uma vida que passa como se fosse brisa leve.

              Maria vivia repetindo que quem tem muito não media esforços para poder ter mais. Riqueza modifica e destrói.

              Maria se vestiu de branco com um véu de noiva bordado e realizou seu primeiro sonho que chegou com o seu primeiro filho.

              Por que Maria podia ser feliz se era dona de tantas dores ? Maria, onde é que você vai com esse sorriso de felicidade estampado no belo rosto que possuis ? Pobre Maria ! Você nasceu para chorar, nunca se esqueça disso, Maria. Chorar.

              De todas as Maria que eu conheci, Maria do Véu de Noiva era a mais alegre. Era mãe e isso era a sua maior felicidade.

              Mas o destino prega peças na vida da gente...

              Maria se casou às dez horas de um dia muito claro. O sol rompia-se no azul do céu e o vento passava calmo, carregando em sua cauda as pétalas das flores que caíram no último outono. Pétalas de rosas vermelhas que nasciam no jardim que ficava depois da ponte.

              No exato momento que o padre declarou Maria casada, uma revoada de pombas brancas cortou o ar.

              Felicidades, Maria ! Que tudo dê certo em sua vida ! Como você está linda,    Maria !

              E Maria, cheia de flores, num impulso de felicidade, jogou aos céus seu véu de noiva.

              Mas o tempo passa... Até parece o vento, esse desconhecido, que ninguém o vê, mas o sente a cada momento.

              Maria e o filho passeiam de mãos dadas pelos jardins de rosas vermelhas que fica depois da ponte. E ela sempre volta perfumada, sempre bonita: Maria.

              E eram assim todos os dias. Maria se fazia renascida e sua felicidade redobrada. Era como borboleta que sofre metamorfose, ganha a liberdade e voa, colorindo todos os espaços por onde passa.

              Bem que disseram para Maria: Maria, você é muito feliz, você tem tudo e não reclama de nada. Um dia essa felicidade vira tristeza dobrada... Maria, você não chora nunca ?

              Maria apenas sorria, na sua simplicidade de ser feliz. Ela sempre foi brisa leve que passeia sem grandes compromissos. Ela sempre perfumou as asas de sua liberdade.

              O filho de Maria crescia e com ele, as alegrias de Maria.

              Mas, como o mundo nunca viveu sem lutas e mortes, aconteceu à terra de Maria uma guerra sem precedentes. Grupos de libertação lutavam pró e contra o governo. Esse conflito começou pequeno, um sopro apenas, e se transformou num furacão de violência.

              Num canto do jardim das rosas, longe do mundo, finalmente Maria chorou. Chorou por não conseguir manter a paz na sua terra.



 Escrito por Diretor às 23h54
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VÉU DE NOIVA – 2º CAPÍTULO  (parte 1)

(Para Maria, que ainda não apareceu em minha vida)

  

              Ele é desconhecido. O vento é um desconhecido. Ele entra em nossas nuvens pendentes, penetrando em nossas almas, revestindo o vazio do mundo. Esse é o vento, o desconhecido.

              O desconhecido que varre com violência ou acaricia de forma macia o meu espírito atormentado. Vento, que com asas transparentes abraçam a Terra.

              Olhem lá, na cauda do vento ! Voando vai um véu de noiva, branco...  Bordado será ? Não sei... É apenas um véu de noiva na cauda do vento fazendo turismo pelo infinito.

              Será que mais uma Maria  ficou viúva e de tristeza jogou ao vento seu véu de noiva ? Ou será outra Maria que acabou de se casar e de felicidade jogou ao vento seu véu de noiva ?

              Maria: dona do véu de noiva, dona da vida, de seus segredos, de suas lágrimas, de suas dores. Maria dona do véu de noiva e dos sorrisos. Dona do vento.

              O véu é branco: Paz ! Um dia, alguém lutou pela paz e chorou bombas atômicas. O véu parece pomba branca, voando pelo azul adormecido do gigante céu. E meus olhos vão acompanhando esse pássaro enquanto as curvas não se intrometem.

              Maria adorava pombos. Um dia Maria se casou e trocou os pombos pelo véu de noiva branco e transparente. Os pombos brancos voaram para a liberdade do vento, enquanto Maria penteava seus cabelos em algum lugar do mundo.

              Um dia Maria resolveu se casar e vestiu-se de noiva. Enfeitou-se de flores que mais pareciam a continuação de Maria. Como era bela a Maria do Véu de Noiva !

             

               



 Escrito por Diretor às 23h52
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